{"id":187,"date":"2021-05-24T12:47:02","date_gmt":"2021-05-24T15:47:02","guid":{"rendered":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=187"},"modified":"2021-06-07T16:33:31","modified_gmt":"2021-06-07T19:33:31","slug":"relacao-de-deus-com-o-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=187","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o de Deus com o Universo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depend\u00eancia essencial de Deus do universo (cria\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o)<\/h2>\n\n\n\n<p>No desenvolvimento do argumento da Causa Primeira n\u00f3s vimos que o mundo \u00e9 essencialmente dependente de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>, e esta depend\u00eancia implica em primeiro lugar que <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> \u00e9 o Criador do mundo \u2014 o produtor de todo o seu ser ou subst\u00e2ncia \u2014 e em segundo lugar, supondo sua produ\u00e7\u00e3o, que sua continuidade em existir a cada momento \u00e9 devida ao Seu poder sustentador. Cria\u00e7\u00e3o significa <em>a total produ\u00e7\u00e3o de um ser a partir do nada<\/em>, i.e. o trazer de um ser \u00e0 exist\u00eancia para substituir a absoluta inexist\u00eancia, e a rela\u00e7\u00e3o de Criador \u00e9 a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o conceb\u00edvel na qual o Infinito pode ter para com o finito. Teorias <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/11447b.htm\">pante\u00edstas<\/a>, que representariam as variedades de seres no <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15183a.htm\">universo<\/a> como as muitas determina\u00e7\u00f5es ou emana\u00e7\u00f5es ou fases da \u00fanica e mesma realidade eterna \u2014 Subst\u00e2ncia de acordo com <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/14217a.htm\">Spinoza<\/a>, Puro Ego de acordo com Fichte, o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/01060c.htm\">Absoluto<\/a> de acordo com Schelling, a Pura Ideia ou Conceito L\u00f3gico de acordo com <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/07192a.htm\">Hegel<\/a> \u2014 simplesmente abundam em contradi\u00e7\u00f5es, e envolvem, como j\u00e1 foi atestado, uma nega\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o entre o finito e o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08004a.htm\">infinito<\/a>. E a rela\u00e7\u00e3o de Criador para com as criaturas permanece a mesma ainda que admitida a possibilidade de eterna cria\u00e7\u00e3o; o Infinito deve ser o produtor do finito ainda que seja imposs\u00edvel fixar um tempo no qual a produ\u00e7\u00e3o pudesse ainda n\u00e3o ter lugar. Para um certo <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">conhecimento<\/a> do fato de que o ser criado, e o pr\u00f3prio tempo, tiveram um come\u00e7o definido no passado, podemos nos permitir confiar na revela\u00e7\u00e3o, embora, como j\u00e1 declarado, a <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/13598b.htm\">ci\u00eancia<\/a> sugira o mesmo fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 claro que se o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15183a.htm\">universo<\/a> depende de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> para a sua produ\u00e7\u00e3o, ele deve tamb\u00e9m depender Dele para a sua conserva\u00e7\u00e3o ou continuidade no ser; e esta <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdade<\/a> ser\u00e1 talvez melhor representada pela explica\u00e7\u00e3o do muito falado princ\u00edpio da divina <em>iman\u00eancia<\/em> como correto e contrabalan\u00e7ado pelo igualmente importante princ\u00edpio da Divina <em>transcend\u00eancia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Divina iman\u00eancia e transcend\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Aos <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/04679b.htm\">de\u00edstas<\/a> \u00e9 atribu\u00edda a vis\u00e3o \u2014 ou pelo menos uma tend\u00eancia para a vis\u00e3o \u2014 de que <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>, tendo criado o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15183a.htm\">universo<\/a>, o deixou a seguir o seu pr\u00f3prio curso de acordo com <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/09053a.htm\">leis<\/a> fixas e cessou, por assim dizer, de tomar qualquer interesse adicional em, ou responsabilidade pelo que pudesse acontecer; e a iman\u00eancia divina \u00e9 sugerida, \u00e0s vezes com for\u00e7a demais, em oposi\u00e7\u00e3o a esta vis\u00e3o. <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> \u00e9 imanente, ou intimamente presente, no <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15183a.htm\">universo<\/a> porque o Seu poder \u00e9 requerido a cada momento para sustentar as criaturas no ser e para contribuir com elas em suas atividades. Conserva\u00e7\u00e3o e contribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o por assim dizer, continua\u00e7\u00f5es da atividade criadora, e implicam uma igualmente \u00edntima rela\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> para com as criaturas, ou ainda uma igualmente \u00edntima e incessante depend\u00eancia das criaturas de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>. O que quer que as criaturas sejam, elas s\u00e3o por virtude do poder conservador de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>; o que quer que elas fa\u00e7am, elas o fazem por virtude do concurso de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>. N\u00e3o \u00e9 negado, \u00e9 claro, que as criaturas s\u00e3o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdadeiras<\/a> causas e produzem efeitos reais; mas elas s\u00e3o apenas causas secund\u00e1rias, sua efici\u00eancia \u00e9 sempre dependente e derivada; <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> como a Causa Primeira \u00e9 um sempre ativo cooperador em suas a\u00e7\u00f5es. Isto \u00e9 <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdadeiro<\/a> mesmo quanto aos atos livres de uma criatura inteligente como o homem; devendo apenas ser acrescentado neste caso que a responsabilidade divina cessa no ponto onde o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/14004b.htm\">pecado<\/a> ou o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/05649a.htm\">mal<\/a> moral toma parte. Visto que o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/14004b.htm\">pecado<\/a> como tal, contudo, \u00e9 uma imperfei\u00e7\u00e3o, nenhuma limita\u00e7\u00e3o \u00e9 assim imposta \u00e0 supremacia de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para que a insist\u00eancia na iman\u00eancia divina n\u00e3o degenere em <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/11447b.htm\">Pante\u00edsmo<\/a> \u2014 e h\u00e1 uma tend\u00eancia nesta dire\u00e7\u00e3o da parte de muitos escritores modernos \u2014 \u00e9 importante ao mesmo tempo enfatizar a <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdade<\/a> da transcend\u00eancia de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a>, para recordar, em outras palavras, o que j\u00e1 foi afirmado diversas vezes, que <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> \u00e9 um simples e <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08004a.htm\">infinitamente<\/a> perfeito Ser pessoal cuja natureza e a\u00e7\u00e3o em seu pr\u00f3prio car\u00e1ter como divino <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08004a.htm\">infinitamente<\/a> transcende todos os poss\u00edveis modos do finito, e n\u00e3o pode, sem contradi\u00e7\u00e3o, ser formalmente identificado com estes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Possibilidade do sobrenatural<\/h2>\n\n\n\n<p>De um estudo da natureza n\u00f3s inferimos a <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608b.htm\">exist\u00eancia de Deus<\/a> e <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/04674a.htm\">deduzimos<\/a> certas <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdades<\/a> fundamentais a respeito de Sua natureza e atributos, e Sua rela\u00e7\u00e3o com o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15183a.htm\">universo<\/a> criado. E destas \u00e9 f\u00e1cil deduzir uma <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdade<\/a> ainda mais importante, com uma breve men\u00e7\u00e3o da qual n\u00f3s podemos adequadamente concluir esta se\u00e7\u00e3o. Por mais maravilhoso que possamos considerar que o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/15183a.htm\">universo<\/a> seja, n\u00f3s reconhecemos que nem em sua subst\u00e2ncia nem nas <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/09053a.htm\">leis<\/a> pelas quais a sua ordem \u00e9 mantida, at\u00e9 onde a raz\u00e3o sem aux\u00edlio pode vir a <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">conhec\u00ea-las<\/a>, esgotam o poder <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08004a.htm\">infinito<\/a> de <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> ou revelam prefeitamente a Sua natureza. Se ent\u00e3o for sugerido que, para suplementar o que a filosofia ensina sobre Ele pr\u00f3prio e Seus prop\u00f3sitos, <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> queira favorecer as criaturas <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/12673b.htm\">racionais<\/a> com uma revela\u00e7\u00e3o pessoal imediata, na qual Ele auxilia os poderes naturais da raz\u00e3o confirmando o que eles j\u00e1 <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">sabem<\/a>, e comunicando a eles muito que eles n\u00e3o poderiam de outra forma <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">saber<\/a>, ser\u00e1 visto imediatamente que esta sugest\u00e3o n\u00e3o cont\u00e9m qualquer impossibilidade. Tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para realiz\u00e1-la \u00e9 que <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> deva ser capaz de se comunicar diretamente com a mente criada, e que os homens devam ser capazes de reconhecer com suficiente <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/03539b.htm\">certeza<\/a> que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente divina \u2014 e que ambas estas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de serem cumpridas nenhum te\u00edsta pode negar <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/09324a.htm\">logicamente<\/a> (ver <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/13001a.htm\">REVELA\u00c7\u00c3O<\/a>; <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/10338a.htm\">MILAGRES<\/a>). Sendo assim, se seguir\u00e1 que o <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">conhecimento<\/a> assim obtido, sendo garantido pela autoridade Daquele que \u00e9 a <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08004a.htm\">infinita<\/a> Verdade, \u00e9 o mais certo e confi\u00e1vel <a href=\"http:\/\/newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">conhecimento<\/a> que podemos possuir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depend\u00eancia essencial de Deus do universo (cria\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o) No desenvolvimento do argumento da Causa Primeira n\u00f3s vimos que o mundo \u00e9 essencialmente dependente de Deus, e esta depend\u00eancia implica em primeiro lugar que Deus \u00e9 o Criador do mundo \u2014 o produtor de todo o seu ser ou subst\u00e2ncia \u2014 e em segundo lugar, &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=187\" class=\"more-link\">Read the full post &rarr;<span class=\"screen-reader-text\">&#8220;Rela\u00e7\u00e3o de Deus com o Universo&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-187","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-d"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=187"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":188,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187\/revisions\/188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}