{"id":384,"date":"2021-05-24T21:04:32","date_gmt":"2021-05-25T00:04:32","guid":{"rendered":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=384"},"modified":"2022-02-21T12:15:55","modified_gmt":"2022-02-21T15:15:55","slug":"salve-rainha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=384","title":{"rendered":"Salve Rainha"},"content":{"rendered":"\n<p>As palavras de abertura (usadas como t\u00edtulo) da mais celebrada das quatro ant\u00edfonas do brevi\u00e1rio da Santa Virgem Maria. \u00c9 rezada a partir da Primeira V\u00e9spera do Domingo da Trindade at\u00e9 a Nona do S\u00e1bado anterior ao Advento. Uma exce\u00e7\u00e3o \u00e9 notada no &#8220;Dict. de liturgie&#8221; (s.v.) de Migne, que o rito de Ch\u00e2lons-sur-Marne a estabelece desde a Purifica\u00e7\u00e3o de N. Senhora at\u00e9 a Quinta-feira Santa. Uma outra varia\u00e7\u00e3o, peculiar \u00e0 catedral de Speyer (onde ele \u00e9 cantado solenemente todo dia &#8220;em honra de S. Bernardo&#8221;), pode ter sido baseada em uma de duas lendas ligando a ant\u00edfona com o santo de Claraval. Uma delas relata que, enquanto o santo atuava como legado apost\u00f3lico na Alemanha, ele adentrou (na V\u00e9spera de Natal de 1146) a catedral para a prociss\u00e3o cantando a ant\u00edfona e, quando as palavras &#8220;O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria&#8221; foram recitadas, ele genufletiu tr\u00eas vezes. De acordo com a narrativa mais comum, entretanto, o santo acrescentou a tripla invoca\u00e7\u00e3o pela primeira vez, em raz\u00e3o de uma s\u00fabita inspira\u00e7\u00e3o. &#8220;Pratos de bronze foram depositados no pavimento da igreja, para marcar os passos do homem de Deus para a posteridade e os lugares onde ele t\u00e3o tocantemente implorou a clem\u00eancia, miseric\u00f3rdia e do\u00e7ura da Bendita Virgem Maria&#8221; (Ratisbonne, &#8220;Vida e Tempo de S. Bernardo&#8221;, Ed. americana, 1855, p. 381, onde detalhes completos s\u00e3o fornecidos). Pode ser dito de passagem que a lenda \u00e9 considerada muito duvidosa por diversas raz\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>a narrativa aparentemente se originou no s\u00e9culo XVI e relata um fato do XII;<\/li><li>o sil\u00eancio dos contempor\u00e2neos e companheiros do santo \u00e9 significativo;<\/li><li>o argumento musical sugere um mesmo autor tanto da ant\u00edfona como das palavras conclusivas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A autoria agora \u00e9 geralmente atribu\u00edda a Hermann Contractus. Durando, em seu &#8220;Rationale&#8221;, a atribui a Pedro de Monsoro (m. por volta de 1000), Bispo de Compostela. \u00c9 tamb\u00e9m atribu\u00edda a Adh\u00e9mar, Bispo de P\u00f3dio (Puy-en-Velay), donde vem o apelido &#8220;Antiphonade Podio&#8221; (Ant\u00edfona de Le Puy). Adh\u00e9mar foi o primeiro a pedir permiss\u00e3o para partir numa cruzada, e o primeiro a receber a cruz do Papa Urbano II. &#8220;Antes da sua partida, chegando no final de outubro de 1096, ele comp\u00f4s a can\u00e7\u00e3o de guerra da cruzada, na qual ele pedia a intercess\u00e3o da Rainha do C\u00e9u, a Salve Rainha&#8221; (Migne, &#8220;Dict. des Croisades&#8221;, s.v. Adh\u00e9mar). Diz-se que ele pediu aos monges de Cluny para inclui-la em seu of\u00edcio, mas nenhum vest\u00edgio do seu uso em Cluny \u00e9 conhecido antes do tempo de Pedro o Vener\u00e1vel, que decretou (por volta de 1135) que a ant\u00edfona deveria ser cantada em prociss\u00e3o em certas festas. Talvez estimulado pelo exemplo de Cluny, ou por causa da devo\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e de Deus de S\u00e3o Bernardo (o santo era diligente em espalhar um amor pela ant\u00edfona, e muitos postos de peregrina\u00e7\u00e3o alegam que ele \u00e9 o fundador da devo\u00e7\u00e3o em sua localidade), ela foi introduzida na C\u00eeteaux em meados do s\u00e9culo XII, e at\u00e9 o s\u00e9culo XVII era usada como uma ant\u00edfona solene para o Magnificat nas festas da Purifica\u00e7\u00e3o, Anuncia\u00e7\u00e3o e Natividade de Nossa Senhora, e para a B\u00ean\u00e7\u00e3o para Laudes da Assun\u00e7\u00e3o. Em 1218 o cap\u00edtulo geral prescreveu sua recita\u00e7\u00e3o processional di\u00e1ria diante do altar-mor ap\u00f3s o Capitulum; em 1220 foi ordenada a sua r\u00e9cita di\u00e1ria a cada um dos monges; e 1228 ordenou seu canto &#8220;mediocri voce&#8221;, juntamente com sete salmos, etc. em cada Sexta-feira &#8220;pro Domino Papa&#8221; (Greg\u00f3rio IX se refugiu em Per\u00fagia por causa do Imperador Frederico II), &#8220;pro pace Romanae Ecclesiae&#8221;, etc. etc. \u2014 a lista longa de &#8220;inten\u00e7\u00f5es&#8221; indicando o qu\u00e3o salutar era considerada esta invoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora. O uso da ant\u00edfona na Completa come\u00e7ou com os dominicanos por volta de 1221 e rapidamente foi propagada por eles. Antes da metade do s\u00e9culo, ela foi incorporada com outras ant\u00edfonas da Virgem Maria no \u201cmodernizado\u201d brevi\u00e1rio franciscano, e com isso entrou para o Brevi\u00e1rio Romano. Alguns estudiosos dizem que a ant\u00edfona era usada por aquela ordem (e provavelmente desde sua funda\u00e7\u00e3o) antes de Greg\u00f3rio IX prescrever o seu uso universal. Os cartuxos a entoam diariamente nas V\u00e9speras (exceto do Primeiro Domingo do Advento at\u00e9 a Oitava da Epifania, e do Domingo da Paix\u00e3o at\u00e9 o Baixo Domingo) bem como ap\u00f3s cada hora do Pequeno Of\u00edcio de Nossa Senhora. Os cistercienses a cantavam ap\u00f3s as Completas desde 1251 at\u00e9 o final do s\u00e9culo XIV e a t\u00eam cantado desde 1483 at\u00e9 a presente data \u2014 uma devo\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, exceto na Quinta-feira Santa e na Sexta-feira da Paix\u00e3o. Os carmelitas a recitam ap\u00f3s cada hora do Of\u00edcio. O Papa Le\u00e3o XIII prescreveu a sua recita\u00e7\u00e3o (6 de janeiro de 1884) depois de cada missa rezada, juntamente com outras ora\u00e7\u00f5es \u2014 uma lei ainda em vigor.<br>Enquanto a ant\u00edfona est\u00e1 em uma prosa sonora, a melodia do canto a divide em membros que, apesar de comprimento sil\u00e1bico desigual, s\u00e3o indubitavelmente para fechar com o efeito r\u00edtmico evanescente que se nota quando ela \u00e9 colocada em forma dividida:<br><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Salve Regina (Mater) misericordiae,<\/li><li>Vita, dulcedo, et spes nostra, salve.<\/li><li>Ad te clamamus, exsules filii Hevae;<\/li><li>Ad te suspiramus gementes et flentes in hac lacrymarum valle.<\/li><li>Eia ergo advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte.<\/li><li>Et Jesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende.<ul><li>O Clemens, O pia,<\/li><li>O dulcis (Virgo) Maria.<\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Similarmente, Notker, o Gago finalizava com o som do &#8220;E&#8221; latino todos os versos da sua sequ\u00eancia, &#8220;Laus tibi, Christe&#8221; (Santos Inocentes). A palavra &#8220;Mater&#8221; no primeiro verso n\u00e3o \u00e9 encontrada em fonte alguma, mas \u00e9 uma inser\u00e7\u00e3o tardia do s\u00e9culo XVI. Assim como a palavra &#8220;Virgo&#8221; no \u00faltimo verso parece ser datado apenas do s\u00e9culo XIII. Mone (Lateinische Hymnen des Mittelalters, II, 203-14) nos d\u00e1 nove hinos medievais baseados na ant\u00edfona. Daniel (Thesaurus hymnologicus, II, 323) nos legou uma dezena. O &#8220;Analecta hymnica&#8221; oferece v\u00e1rias transfus\u00f5es e tropos (e.g. XXXII, 176, 191-92; XLVI, 139-43). Os compositores adotaram uma curiosa forma de introdu\u00e7\u00e3o do texto, por exemplo (s\u00e9culo XIV):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Salve splendor praecipue<br>supernae claritatis,<br>Regina vincens strenue<br>scelus imietatis,<br>Misericordiae tuae<br>munus impende gratis, etc.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esse poema tem quatorze estrofes como esta. Outro poema, do s\u00e9culo XV, tem quarenta e tr\u00eas estrofes de quatro versos. Outro ainda, do s\u00e9culo XV, \u00e9 mais condensado:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Salve nobilis regina<br>fons misericordiae, etc.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica deste \u00e9 a sua aparente prefer\u00eancia pela f\u00f3rmula mais breve, &#8220;O clemens, O pia, O dulcis Maria.&#8221;<br>A ant\u00edfona figurou amplamente nas devo\u00e7\u00f5es da tarde das fraternidades e guildas que se formaram em grande n\u00famero por volta do in\u00edcio do s\u00e9culo XIII. &#8220;Na Fran\u00e7a, este servi\u00e7o era comumente conhecido como Salut, nos Pa\u00edses Baixos como o Lof, na Inglaterra e na Alemanha simplesmente como o Salve. Agora parece certo que nosso atual bendito servi\u00e7o resultou da ado\u00e7\u00e3o geral desta cantoria dos c\u00e2nticos diante da imagem de Nossa Senhora, aprimorada como costuma ser no decurso dos s\u00e9culos XVI e XVII pela exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento, que era empregado de in\u00edcio apenas como um adjunto para conferir adicional solenidade.&#8221; (Padre Thurston; ver B\u00caN\u00c7\u00c3O DO SANT\u00cdSSIMO SACRAMENTO para uma maior elabora\u00e7\u00e3o). Lutero reclamava que a ant\u00edfona era cantada por todo lugar ao redor do mundo, que os grandes sinos das igrejas eram soados em sua honra, etc. Ele objetava especialmente para as palavras &#8220;Rainha de miseric\u00f3rdia, vida, do\u00e7ura e esperan\u00e7a nossa&#8221;; mas a linguagem da devo\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a do dogma, e alguns protestantes, n\u00e3o desejando que ela desaparecesse das igrejas luteranas, a reconstruindo &#8220;evangelicamente&#8221; (p.ex., uma vers\u00e3o em uso em Erfurt em 1525: &#8220;Salve Rex aeternae misericordiae&#8221;.) Os jansenistas encontraram uma dificuldade parecida, e buscaram alterar a express\u00e3o para &#8220;a do\u00e7ura e esperan\u00e7a de nossa vida&#8221; (Beissel, I, 126). Enquanto isso a ant\u00edfona figurou amplamente na devo\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e do povo cat\u00f3lico em geral, sendo especialmente cara aos marinheiros. Estudiosos d\u00e3o exemplo de da Salve Regina pelos marinheiros de Colombo e dos Indianos.<br>O refinado cantoch\u00e3o foi atribu\u00eddo a Hermann Contractus. O Antifon\u00e1rio Vaticano (pp. 127-8) apresenta a forma revisada oficial ou \u201ct\u00edpica\u201d da melodia (primeiro tom). A agora n\u00e3o-oficial edi\u00e7\u00e3o &#8220;Ratisbona&#8221; traz a melodia em uma forma ornada e uma forma simples, juntamente com uma configura\u00e7\u00e3o que \u00e9 descrita como sendo no d\u00e9cimo primeiro tom, e que tamb\u00e9m \u00e9 muito bonita. Um persistente eco desta \u00faltima configura\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrado no cantoch\u00e3o &#8220;Stupete gentes&#8221; de Santeul. H\u00e1 muitas composi\u00e7\u00f5es de compositores modernos e polif\u00f4nicos. A de Pergolesi (para uma voz, com dois violinos, viola e \u00f3rg\u00e3o) foi escrita pouco antes da sua morte; est\u00e1 colocada entre as &#8220;felizes inspira\u00e7\u00f5es&#8221;, \u00e9 afamada como seu &#8220;maior triunfo na dire\u00e7\u00e3o da m\u00fasica sacra&#8221; e &#8220;insuper\u00e1vel em pureza de estilo e comovente e tocante expressividade&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As palavras de abertura (usadas como t\u00edtulo) da mais celebrada das quatro ant\u00edfonas do brevi\u00e1rio da Santa Virgem Maria. \u00c9 rezada a partir da Primeira V\u00e9spera do Domingo da Trindade at\u00e9 a Nona do S\u00e1bado anterior ao Advento. 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