{"id":390,"date":"2021-05-24T21:09:22","date_gmt":"2021-05-25T00:09:22","guid":{"rendered":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=390"},"modified":"2021-06-07T15:38:50","modified_gmt":"2021-06-07T18:38:50","slug":"sinal-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=390","title":{"rendered":"Sinal da Cruz"},"content":{"rendered":"\n<p>Um termo aplicado a v\u00e1rios atos manuais, <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/09306a.htm\">lit\u00fargicos<\/a> ou de car\u00e1ter devocional, que possuem pelo menos o seguinte em comum: que pelo gesto de tra\u00e7ar duas linhas atravessadas em um \u00e2ngulo reto elas indiquem simbolicamente a figura da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04517a.htm\">cruz de Cristo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais comumente e propriamente as palavras &#8220;sinal da cruz&#8221; s\u00e3o o uso de uma grande cruz tra\u00e7ada da testa at\u00e9 o peito e de ombro a ombro, como os <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03449a.htm\">cat\u00f3licos<\/a> s\u00e3o ensinados a fazer em si mesmos quando eles come\u00e7am suas <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12345b.htm\">ora\u00e7\u00f5es<\/a>, e como tamb\u00e9m o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12406a.htm\">padre<\/a> faz aos p\u00e9s do altar quando ele d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 missa com as palavras: &#8220;<em>In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti<\/em>&#8220;. (No come\u00e7o da missa o celebrante faz o sinal da cruz colocando a sua m\u00e3o esquerda estendida sob seu peito; e ent\u00e3o elevando sua direita at\u00e9 a testa, que ele toca com as extremidades dos seus dedos, ele diz: <em>In nomine Patris<\/em>; ent\u00e3o, tocando seu peito com a mesma m\u00e3o, diz: <em>et Filii<\/em>; tocando seus ombros esquerdo e direito, diz: <em>et Spiritus Sancti<\/em>; e da\u00ed ele junta suas m\u00e3os novamente e acrescenta: <em>Amen<\/em>). O mesmo sinal ocorre frequentemente durante a missa, p.ex. nas palavras &#8220;<em>Adjutorium nostrum in nomine Domini<\/em>&#8220;, no &#8220;Indulgentiam&#8221; ap\u00f3s o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04222a.htm\">Confiteor<\/a>, etc., como tamb\u00e9m no <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/11219a.htm\">Of\u00edcio Divino<\/a>, por examplo na invoca\u00e7\u00e3o &#8220;<em>Deus in adjutorium nostrum intende<\/em>&#8220;, ao come\u00e7o do &#8220;Magnificat&#8221;, do &#8220;Benedictus&#8221;, do &#8220;Nunc Dimittis&#8221;, e em muitas outras ocasi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tipo de sinal da cruz \u00e9 feito no ar pelos <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/02581b.htm\">bispos<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12406a.htm\">padres<\/a>, e outros ao aben\u00e7oar <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/11726a.htm\">pessoas<\/a> ou objetos materiais. Esta cruz ocorre tamb\u00e9m muitas vezes na <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/09790b.htm\">liturgia da missa<\/a> e em praticamente todos os of\u00edcios rituais conectados com os <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13295a.htm\">sacramentos<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13292d.htm\">sacramentais<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma terceira variedade \u00e9 representada pela pequena cruz, geralmente feita com o polegar, que o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12406a.htm\">padre<\/a> ou o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04647c.htm\">di\u00e1cono<\/a> tra\u00e7a por exemplo sobre o livro dos Evangelhos e sobre sua pr\u00f3pria testa, l\u00e1bios e peito na missa, como tamb\u00e9m aquela feita sobre os l\u00e1bios no &#8220;<em>Domine labia mea aperies<\/em>&#8221; do Of\u00edcio, ou ainda sobre a testa da crian\u00e7a no Batismo, e sobre os v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os dos sentidos na Extrema Un\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda outra variante do mesmo sinal sagrado pode ser reconhecido no direcionamento do &#8220;Livro da Missa para o Povo Leigo&#8221; (s\u00e9culo XIII) que diz que o povo ao final do Evangelho deve tra\u00e7ar uma cruz sobre o banco ou parede ou um livro e ent\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08663a.htm\">beij\u00e1-lo<\/a>. Era prescrito em alguns usos antigos que o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12406a.htm\">padre<\/a> subindo ao altar antes do <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08081a.htm\">Introito<\/a> deveria primeiro tra\u00e7ar uma cruz sobre a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/01351e.htm\">toalha do altar<\/a> e ent\u00e3o deveria <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08663a.htm\">beijar<\/a> a cruz tra\u00e7ada. Al\u00e9m disso parece que o costume, prevalecente na <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/14169b.htm\">Espanha<\/a> e em alguns outros pa\u00edses, de acordo com o qual um homem, depois de fazer o sinal da cruz da maneira ordin\u00e1ria, aparentemente <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08663a.htm\">beija<\/a> seu polegar, tem uma origem similar. O polegar posto cruzado com o dedo indicador forma uma imagem de uma cruz \u00e0 qual os l\u00e1bios s\u00e3o devotamente pressionados.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos os m\u00e9todos mencionados acima de venerar este s\u00edmbolo dadivoso e adot\u00e1-lo como emblema, a marca de uma pequena cruz parece ser o mais antigo. Temos positivas evid\u00eancias que nos Padres primitivos de que tal pr\u00e1tica era familiar aos <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03712a.htm\">crist\u00e3os<\/a> no s\u00e9culo II. &#8220;Em todas as nossas viagens e movimentos&#8221;, diz <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/14520c.htm\">Tertuliano<\/a> (De cor. Mil., iii), &#8220;em todas as nossas indas e vindas, ao cal\u00e7ar os sapatos, no banho, \u00e0 mesa, ao acender nossas velas, ao deitar, ao sentar, em qualquer empreendimento que nos ocupe, n\u00f3s marcamos nossa testa com o sinal da cruz&#8221;. Por outro lado isto deve logo ter se transformado em um gesto de b\u00ean\u00e7\u00e3o, como muitas cita\u00e7\u00f5es dos Padres no s\u00e9culo IV ir\u00e1 demonstrar. Assim <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04595b.htm\">S. Cirilo de Jerusal\u00e9m<\/a> em seu &#8220;Catecheses&#8221; (xiii, 36) observa: &#8220;que ent\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o nos envergonhemos de confessar o Crucificado. Seja a cruz o nosso selo, feito com ousadia por nossos dedos em nossa fronte e em cada coisa; sobre o p\u00e3o que n\u00f3s comemos e os copos que bebemos, em nossas indas e vindas; antes de dormirmos, quando nos deitamos e quando n\u00f3s acordamos; quando viajamos e quando vamos descansar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O curso do desenvolvimento parece ter sido o seguinte. A cruz era originalmente tra\u00e7ada pelos <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03712a.htm\">crist\u00e3os<\/a> com o polegar ou indicador em suas pr\u00f3prias testas. Esta pr\u00e1tica \u00e9 atestada por in\u00fameras alus\u00f5es na literatura Patr\u00edstica, e estava claramente associada com a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/07630a.htm\">ideia<\/a> contida em certas refer\u00eancias nas Escrituras, notavelmente <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/bible\/eze009.htm#vrs4\">Eze<\/a>quiel 9:4 (da marca da letra Tau); <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/bible\/exo017.htm#vrs9\">\u00ca<\/a>xodo 17:9-14; e especialmente <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/bible\/rev007.htm#vrs3\">Apocal<\/a>ipse 7:3, <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/bible\/rev009.htm#vrs4\">9:4<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/bible\/rev014.htm#vrs1\">14:1<\/a>. Quase t\u00e3o cedo surgiu o costume de fazer uma cruz em objetos \u2014 j\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/14520c.htm\">Tertuliano<\/a> fala da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/15687b.htm\">mulher<\/a> <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03712a.htm\">crist\u00e3<\/a> &#8220;assinando&#8221; a cama dela (<em>cum lectulum tuum signas<\/em>, &#8220;Ad uxor.&#8221;, ii, 5) antes de se retirar para dormir\u2014e n\u00f3s logo ouvimos tamb\u00e9m do sinal da cruz sendo tra\u00e7ado nos l\u00e1bios (<a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08341a.htm\">Jer\u00f4nimo<\/a>, &#8220;Epitaph. Paul\u00e6&#8221;) e no cora\u00e7\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12518a.htm\">Prud\u00eancio<\/a>, &#8220;Cathem.&#8221;, vi, 129). Naturalmente, se o objeto fosse mais remoto, a cruz que era dirigida a ele deveria ser feita no ar. Assim Epif\u00e2nio nos conta (Adv. H\u00e6r., xxx, 12) de um certo santo homem <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08522a.htm\">Josefo<\/a>, que transmitiu para uma vasinha de \u00e1gua o poder de derrubar encantamentos m\u00e1gicos ao &#8220;fazer sobre o vaso com seu dedo o selo da cruz&#8221; pronunciando ao mesmo tempo uma forma de <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12345b.htm\">ora\u00e7\u00e3o<\/a>. Ainda meio s\u00e9culo depois <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/14165c.htm\">Sozomeno<\/a>, o historiador da igreja (VII, xxvi), descreve como o Bispo Donato quando atacado por um drag\u00e3o &#8220;fez o sinal da cruz com seu dedo no ar e cuspiu no monstro&#8221;. Tudo isso obviamente leva \u00e0 sugest\u00e3o de uma cruz muito maior sobre o corpo todo, e talvez o exemplo mais antigo que pode ser citado vindo at\u00e9 n\u00f3s de uma fonte Georgiana, possivelmente do quarto ou quinto s\u00e9culo. Na vida de Santa Nino, uma <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/15687b.htm\">mulher<\/a> <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04171a.htm\">santa<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/07462a.htm\">honrada<\/a> como a Ap\u00f3stola da Ge\u00f3rgia, nos \u00e9 contado nestes termos um <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/10338a.htm\">milagre<\/a> operado por ela: &#8220;S. Nino come\u00e7ou a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12345b.htm\">rezar<\/a> e suplicar a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> por um longo tempo. E ent\u00e3o ela tomou a sua cruz (de madeira) e com ela tocou a cabe\u00e7a da Rainha, seus p\u00e9s e seus ombros, fazendo o sinal da cruz e imediatamente ela ficou curada&#8221; (Studia Biblica, V, 32).<\/p>\n\n\n\n<p>No todo parece prov\u00e1vel que a introdu\u00e7\u00e3o geral da nossa atual cruz maior (da testa ao peito e de ombro a ombro) foi um resultado indireto da controv\u00e9rsia <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/10489b.htm\">monofisista<\/a>. O uso do polegar sozinho ou apenas do dedo indicador, que at\u00e9 ent\u00e3o como apenas uma pequena cruz era tra\u00e7ada sobre a testa era quase inevit\u00e1vel, parece ter dado lugar por raz\u00f5es simb\u00f3licas ao uso de dois dedos (o indicador e o dedo m\u00e9dio, ou o polegar e o indicador) como a tipificar as duas naturezas e duas vontades em <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08374c.htm\">Jesus Cristo<\/a>. Mas se dois dedos deveriam ser empregados, a cruz grande, na qual a testa, peito, etc. seriam meramente tocados, sugere-se como o \u00fanico gesto natural. De fato algum amplo movimento do tipo era requerido para se fazer percept\u00edvel que um homem estava usando dois dedos ao inv\u00e9s de um. Em alguma data posterior, por toda a grande parte do Oriente, tr\u00eas dedos, ou ainda o polegar e dois dedos eram exibidos, enquanto o anelar e o dedo m\u00ednimo eram dobrados em dire\u00e7\u00e3o da palma. Estes dois eram usados para simbolizar as duas naturezas ou vontades em Cristo, enquanto os outros tr\u00eas estendidos denotavam as tr\u00eas Pessoas da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/15047a.htm\">Sant\u00edssima Trindade<\/a>. Ao mesmo tempo estes dedos eram tidos como indicativos da abrevia\u00e7\u00e3o comum I X C (<em>Iesous Christos Soter<\/em>), o dedo indicador representando o I, o do meio cruzado com o polegar representando o X e o dedo do meio curvado servindo para sugerir o C. Na <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/01736b.htm\">Arm\u00eania<\/a>, por\u00e9m, o sinal da cruz feito com dois dedos ainda \u00e9 mantido nos dias de hoje. Muito deste simbolismo passou para o ocidente, ainda que numa data posterior.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral parece prov\u00e1vel que a preval\u00eancia final da cruz grande \u00e9 devida a uma instru\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/09159a.htm\">Le\u00e3o IV<\/a> em meados do s\u00e9culo IX. &#8220;Assinale o c\u00e1lice e a h\u00f3stia&#8221;, ele escreveu, &#8220;com uma cruz direita e n\u00e3o com c\u00edrculos ou com uma varia\u00e7\u00e3o dos dedos, mas com dois dedos esticados e o polegar escondido por dentro deles, pelos quais a Trindade \u00e9 simbolizada. Preste aten\u00e7\u00e3o para fazer o sinal corretamente, pois do contr\u00e1rio voc\u00ea pode ter <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/02599b.htm\">aben\u00e7oado<\/a> nada&#8221; (ver Georgi, &#8220;Liturg. Rom. Pont.&#8221;, III, 37). Embora isto, \u00e9 claro, primariamente se aplique \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o na b\u00ean\u00e7\u00e3o com o sinal da cruz, parece ter sido adaptado popularmente \u00e0 feitura do sinal da cruz sobre si mesmo. <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/01171b.htm\">Elfrico<\/a> (por volta do ano 1000) provavelmente tinha isso em mente quando ele conta a seus ouvintes em um de seus <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/07448a.htm\">serm\u00f5es<\/a>: &#8220;Um homem pode acenar maravilhosamente com suas m\u00e3os sem criar qualquer b\u00ean\u00e7\u00e3o a menos que ele fa\u00e7a o sinal da cruz. Mas se ele o fizer o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04764a.htm\">inimigo<\/a> logo se assustar\u00e1 em raz\u00e3o do sinal vitorioso. Com tr\u00eas dedos a pessoa deve <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/02599b.htm\">aben\u00e7oar<\/a> a si pr\u00f3pria para a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/15047a.htm\">Sant\u00edssima Trindade<\/a>&#8221; (Thorpe, &#8220;The Homilies of the Anglo-Saxon Church&#8221; I, 462). Cinquenta anos antes disso os <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03712a.htm\">crist\u00e3os<\/a> anglo-sax\u00f5es eram exortados a &#8220;aben\u00e7oar todos seus corpos sete vezes com o sinal da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13181a.htm\">Cruz de Cristo<\/a>&#8221; (Blicking Hom., 47), que parece presumir esta grande cruz. <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/02384a.htm\">Beda<\/a> em sua carta para o bispo Egberto o aconselha lembrar ao seu rebanho &#8220;com que frequente dilig\u00eancia empregar sobre eles pr\u00f3prios o sinal da cruz do Senhor&#8221;, embora dali n\u00e3o possamos inferir qual tipo de cruz feita. Por outro lado quando n\u00f3s encontramos no suposto &#8220;Livro de Ora\u00e7\u00e3o do Rei Henrique&#8221; (s\u00e9culo XI) uma instru\u00e7\u00e3o das <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12345b.htm\">ora\u00e7\u00f5es<\/a> matinais para marcar com a santa Cruz &#8220;os quatro lados do corpo&#8221;, h\u00e1 uma boa raz\u00e3o para supor que o sinal grande com o qual n\u00f3s agora estamos familiarizados \u00e9 o pretendido.<\/p>\n\n\n\n<p>A essa \u00e9poca a maneira de fazer o sinal da cruz no ocidente parece ter sido id\u00eantica com aquela que se seguiu at\u00e9 o presente no Oriente, i.e. apenas tr\u00eas dedos eram usados, e a m\u00e3o viajava do ombro direito para o esquerdo. Este ponto, deve-se reconhecer, n\u00e3o est\u00e1 inteiramente claro e <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/14554a.htm\">Thalhofer<\/a> (Liturgik, I, 633) tende \u00e0 opini\u00e3o de que nas passagens de Belethus (xxxix), <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13770b.htm\">Sicardo<\/a> (III, iv), <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08013a.htm\">Inoc\u00eancio III<\/a> (De myst. Alt., II, xlvi) e Durando (V, ii, 13), que s\u00e3o usualmente lan\u00e7adas como <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12454c.htm\">prova<\/a> disto, estes autores tinham em mente a pequena cruz feita sobre a testa ou objetos externos, na qual a m\u00e3o se move naturalmente da direita para a esquerda, e n\u00e3o a cruz grande feita de ombro a ombro. Mesmo assim, uma <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13216a.htm\">rubrica<\/a> em um <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/09614b.htm\">manuscrito<\/a> c\u00f3pia do <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/10354c.htm\">Missal<\/a> de York claramente requer que o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12406a.htm\">padre<\/a> quando sinalizar a si mesmo com a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/11541b.htm\">patena<\/a> para tocar o ombro esquerdo depois do direito. Al\u00e9m disso fica pelo menos claro a partir de v\u00e1rias gravuras e <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13641b.htm\">esculturas<\/a> que nos s\u00e9culos XII e XIII a pr\u00e1tica grega de estender apenas tr\u00eas dedos foi aderida por muitos <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/09022a.htm\">crist\u00e3os latinos<\/a>. Assim o compilador do Ancren Riwle (n.d.t.: tamb\u00e9m conhecido como \u201cGuia para Anacoretas\u201d) (cerca de 1200) orienta suas <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/11164a.htm\">freiras<\/a> no &#8220;Deus in adjutorium&#8221; a fazer uma pequena cruz a partir de cima da testa descendo at\u00e9 o peito com tr\u00eas dedos&#8221;. Entretanto pode haver uma pequena <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/05141a.htm\">d\u00favida<\/a> sobre se muito antes do final da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/10285c.htm\">Idade M\u00e9dia<\/a> o sinal grande da cruz era mais comumente feito no Oriente com a m\u00e3o aberta e se a barra da cruz era tra\u00e7ada da esquerda pra direita. No &#8220;Myroure of our Ladye&#8221; (p. 80) as Freiras Brigitinas de Si\u00e3o tinham uma raz\u00e3o m\u00edstica dada a elas para a pr\u00e1tica: &#8220;<em>And then ye bless you with the sygne of the holy crosse, to chase away the fiend with all his deceytes. For, as Chrysostome sayth, wherever the fiends see the signe of the crosse, they flye away, dreading it as a staffe that they are beaten withall. And in thys blessinge ye beginne with youre hande at the hedde downwarde, and then to the lefte side and byleve that our Lord Jesu Christe came down from the head, that is from the Father into erthe by his holy Incarnation, and from the erthe into the left syde, that is hell, by his bitter Passion, and from thence into his Father&#8217;s righte syde by his glorious Ascension<\/em>&#8220;. (E ent\u00e3o v\u00f3s vos <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/02599b.htm\">benzeis<\/a> com o sinal da santa cruz, para afastar o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04764a.htm\">inimigo<\/a> com suas engana\u00e7\u00f5es. Porque, como <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08452b.htm\">Cris\u00f3stomo<\/a> disse, sempre que os <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04764a.htm\">diabos<\/a> v\u00eaem o sinal da cruz, eles fogem, cheios de medo como se ele fosse um bast\u00e3o com o qual fossem espancados. E esta b\u00ean\u00e7\u00e3o v\u00f3s come\u00e7ais com a m\u00e3o na cabe\u00e7a, descendo, e ent\u00e3o para o lado esquerdo e acrediteis que <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08374c.htm\">Nosso Senhor Jesus Cristo<\/a> veio da cabe\u00e7a, isto \u00e9, do Pai para a terra por sua santa Encarna\u00e7\u00e3o, e da terra para o lado esquerdo, isto \u00e9, o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/07207a.htm\">inferno<\/a>, por sua amarga Paix\u00e3o, e da\u00ed para a direita do Pai por sua gloriosa <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/01767a.htm\">Ascens\u00e3o<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>O gesto manual de tra\u00e7ar a cruz com a m\u00e3o ou o polegar foi em todos os per\u00edodos muito comumente, embora n\u00e3o indispensavelmente, acompanhada por uma f\u00f3rmula de palavras. A f\u00f3rmula, por\u00e9m, variou bastante. Nas eras primitivas n\u00f3s temos evid\u00eancias para tal invoca\u00e7\u00e3o como &#8220;O sinal de Cristo&#8221;, &#8220;O selo do Deus vivo&#8221;, &#8220;Em nome de <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08374c.htm\">Jesus<\/a>&#8220;; etc. Mais tarde encontramos &#8220;Em nome de <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08374c.htm\">Jesus de Nazar\u00e9<\/a>&#8220;, &#8220;Em nome da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/15047a.htm\">Sant\u00edssima Trindade<\/a>&#8220;, &#8220;Em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo&#8221;, &#8220;O nosso aux\u00edlio est\u00e1 no nome do Senhor&#8221;, &#8220;\u00d3 <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> venha em meu aux\u00edlio&#8221;. Membros da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/06752a.htm\">Igreja Grega<\/a> Ortodoxa quando se benzem com tr\u00eas dedos, como explicado acima, geralmente usam a invoca\u00e7\u00e3o: &#8220;<a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/06608a.htm\">Deus<\/a> Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de n\u00f3s&#8221;, cujas palavras, como \u00e9 bem sabido, tem sido preservadas na sua forma grega pela <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/09022a.htm\">Igreja Ocidental<\/a> no Of\u00edcio da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/06643a.htm\">Sexta-feira Santa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 desnecess\u00e1rio insistir sobre os efeitos da gra\u00e7a e o poder atribu\u00eddo pela <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03744a.htm\">Igreja<\/a> em todos os tempos ao uso do santo sinal da cruz. Desde o primeiro momento ele tem sido empregado em todos os <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/05709a.htm\">exorcismos<\/a> e conjura\u00e7\u00f5es como uma arma contra os esp\u00edritos das trevas e ele toma o seu lugar n\u00e3o menos consiste nos rituais dos <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/13295a.htm\">sacramentos<\/a> e em cada forma de b\u00ean\u00e7\u00e3o e <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04276a.htm\">consagra\u00e7\u00e3o<\/a>. Uma famosa dificuldade \u00e9 aquela sugerida pela realiza\u00e7\u00e3o do sinal da cruz repetidamente sobre a H\u00f3stia e o C\u00e1lice ap\u00f3s as palavras da institui\u00e7\u00e3o terem sido pronunciadas na missa. A <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/15073a.htm\">verdadeira<\/a> explica\u00e7\u00e3o \u00e9 provavelmente encontrada no fato de que no tempo que essas cruzes foram introduzidas (elas variam muito nas c\u00f3pias antigas do C\u00e2non para ser de uma institui\u00e7\u00e3o primitiva), o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04049b.htm\">clero<\/a> e os fi\u00e9is n\u00e3o se perguntavam claramente em qual momento preciso a <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/05573a.htm#section3\">transubstan<\/a>cia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies se efetivava. Eles se satisfaziam em acreditar que aquilo era o resultado da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/12345b.htm\">ora\u00e7\u00e3o<\/a> consagrat\u00f3ria toda a qual n\u00f3s chamamos de o C\u00e2non, sem determinar as palavras exatas que a operavam; assim como agora n\u00f3s nos contentamos em <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/08673a.htm\">saber<\/a> que o Sangue Precioso \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04276a.htm\">consagrado<\/a> pelas palavras todas que s\u00e3o pronunciadas sobre o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/03561a.htm\">c\u00e1lice<\/a>, sem parar para refletir sobre se todas as palavras s\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/10733a.htm\">necess\u00e1rias<\/a>. Deste modo os sinais da cruz continuam at\u00e9 o final do C\u00e2non e eles podem ser considerados como referindo-se mentalmente \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04276a.htm\">consagra\u00e7\u00e3o<\/a> que ainda \u00e9 concebida como incompleta. O processo \u00e9 o inverso daquele pelo qual na <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/06752a.htm\">Igreja Grega<\/a> na &#8220;Grande Entrada&#8221; as maiores marcas de <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/07462a.htm\">honra<\/a> s\u00e3o rendidas \u00e0s simples esp\u00e9cies do <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/01349d.htm\">p\u00e3o<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/01358a.htm\">vinho<\/a> em antecipa\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/04276a.htm\">consagra\u00e7\u00e3o<\/a> que elas est\u00e3o para receber pouco depois.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fontes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Thalhofer, <em>Liturgik<\/em>, I (Freiburg, 1883), 629-43; Warren in <em>Dict. Christ. Antiq<\/em>. s.v.; <em>Church Quart. Rev.<\/em>, XXXV (1893), 315-41; Beresford-Cooke, <em>The Sign of the Cross in the Western Liturgies<\/em> (London, 1907); Gretser, <em>De Cruce Christi<\/em> (Ingolstadt, 1598); Stevens, <em>The Cross in the Life and Literature of the Anglo-Saxons<\/em> (New York, 1904).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um termo aplicado a v\u00e1rios atos manuais, lit\u00fargicos ou de car\u00e1ter devocional, que possuem pelo menos o seguinte em comum: que pelo gesto de tra\u00e7ar duas linhas atravessadas em um \u00e2ngulo reto elas indiquem simbolicamente a figura da cruz de Cristo. Mais comumente e propriamente as palavras &#8220;sinal da cruz&#8221; s\u00e3o o uso de uma &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/?p=390\" class=\"more-link\">Read the full post &rarr;<span class=\"screen-reader-text\">&#8220;Sinal da Cruz&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-390","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=390"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":391,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/390\/revisions\/391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enciclopediacatolica.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}